Quais são os sete sacramentos?
Os sete sacramentos são Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Unção dos Enfermos, Ordem e Matrimônio. Cada um é um sinal eficaz da graça instituído por Cristo: por meio desses sinais, Deus age realmente na Igreja, acompanhando os momentos fundamentais da vida cristã.
Os sete sacramentos estão no centro da vida católica. É possível conhecê-los há muito tempo sem nunca ter parado para entender o que são e por que são sete. Este artigo apresenta seu significado, a lista completa e a graça própria de cada um, com base no Catecismo da Igreja Católica.
Em poucas palavras: um sacramento é um sinal eficaz da graça, instituído por Cristo e confiado à Igreja. Os sete são Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Unção dos Enfermos, Ordem e Matrimônio.
O que a Igreja Católica entende por “sacramento”?
Um sacramento é um sinal visível que realiza aquilo que significa. Ele comunica a graça por gestos e palavras: a água derramada, a unção com óleo, a oração, o pão consagrado. O Catecismo ensina que os sacramentos são sinais eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, pelos quais recebemos a vida divina (CIC 1131).
Três expressões são essenciais. Eficazes: os sacramentos realizam o que significam. Instituídos por Cristo: a Igreja não pode inventar novos sacramentos; esses sete vêm dele. Confiados à Igreja: são celebrados nela, conforme o que recebeu, e não como práticas privadas que qualquer pessoa pode criar.
Quais são os sete sacramentos?
A Igreja reconhece sete sacramentos. O Concílio de Trento definiu solenemente esse número em 1547, no contexto dos debates da Reforma. O Catecismo situa toda a vida litúrgica em torno do sacrifício eucarístico e dos sacramentos, e então enumera Batismo, Confirmação ou Crisma, Eucaristia, Penitência, Unção dos Enfermos, Ordem e Matrimônio (CIC 1113).
Os sete sacramentos, em resumo:
1. Batismo. Faz nascer para a vida cristã. O ministro derrama água sobre a pessoa ou a mergulha na água, batizando-a em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O pecado original é apagado e a pessoa se torna membro da Igreja.
2. Confirmação, ou Crisma. Marca o batizado com o dom do Espírito Santo. No rito latino, o bispo ou um sacerdote autorizado unge a testa com o santo crisma e pronuncia a fórmula sacramental que expressa esse dom.
3. Eucaristia. O pão e o vinho consagrados por um bispo ou sacerdote se tornam o corpo e o sangue de Cristo. Os fiéis recebem o próprio Cristo na Comunhão. Para saber mais, veja o que a Eucaristia realmente é.
4. Confissão, ou Penitência e Reconciliação. Os pecados cometidos depois do Batismo são perdoados pela absolvição do sacerdote. O penitente confessa seus pecados, expressa arrependimento e recebe a absolvição. Veja também como voltar à confissão depois de muitos anos.
5. Unção dos Enfermos. Um sacerdote unge com óleo e reza sobre a pessoa cuja saúde está seriamente comprometida pela doença ou pela velhice. O sacramento oferece força, paz, às vezes cura física e, quando a pessoa não pode se confessar, o perdão dos pecados.
6. Ordem. Um homem batizado é ordenado diácono, sacerdote ou bispo pela imposição das mãos do bispo e pela oração de ordenação. Bispos e sacerdotes podem consagrar a Eucaristia e absolver os pecados, observadas as condições necessárias. Os diáconos são ordenados para o serviço; não consagram a Eucaristia nem dão a absolvição.
7. Matrimônio. Na tradição latina, um homem e uma mulher batizados conferem mutuamente o sacramento ao trocar seu consentimento, normalmente diante de um padre ou diácono e de duas testemunhas. Sua união se torna um sinal duradouro da aliança de Cristo com a Igreja. Nas tradições católicas orientais, a bênção do sacerdote também é necessária para a validade.
Como os sacramentos são agrupados?
A Igreja os divide em três grupos. O Catecismo explica que eles acompanham todas as etapas e os momentos importantes da vida cristã (CIC 1210).
Os sacramentos da iniciação cristã, Batismo, Confirmação e Eucaristia, estabelecem os fundamentos da vida cristã. No rito latino, as crianças normalmente os recebem em etapas diferentes; os adultos, em geral, juntos. Nas Igrejas católicas orientais, os três são conferidos juntos até mesmo às crianças pequenas.
Os sacramentos de cura, Penitência e Unção dos Enfermos, respondem às feridas do pecado e da doença. Por meio deles, Cristo levanta, reconcilia, fortalece e acompanha quem sofre.
Os sacramentos a serviço da comunhão, Ordem e Matrimônio, contribuem para a edificação da Igreja. Consagram uma vocação de serviço ao próximo: o ministro ordenado para o povo de Deus, os esposos um para o outro e para os filhos que poderão acolher.
De onde vêm os sacramentos?
Do próprio Cristo. Sua origem está na vida, nas palavras e nos gestos dele, transmitidos pelos apóstolos. No caso do Batismo, Jesus envia os discípulos para batizar todas as nações em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28,19). Na Última Ceia, ele entrega o pão e o vinho como seu corpo e seu sangue (Mt 26,26-28). Depois da ressurreição, dá o Espírito Santo aos apóstolos e lhes confia o poder de perdoar os pecados (Jo 20,22-23).
A Carta de Tiago orienta os doentes a chamar os presbíteros da Igreja para que rezem sobre eles e os unjam em nome do Senhor (Tg 5,14). Jesus reafirma a unidade e a indissolubilidade do matrimônio em Mateus 19. A Ordem está enraizada na escolha e na missão dos Doze. A Confirmação está ligada ao dom do Espírito manifestado em Pentecostes e transmitido pelos apóstolos, e aperfeiçoa a graça batismal.
A Igreja ensina que não inventou esses sacramentos: ela os recebeu e deve celebrá-los fielmente.
Por que são exatamente sete?
Os sete sacramentos acompanham as grandes etapas da existência: nascimento, crescimento, alimento, cura, doença, vocação e vida conjugal. Essa relação ajuda a compreender o conjunto; seu número se fundamenta no que a Igreja reconhece ter recebido de Cristo. O Catecismo descreve sua ação como nascimento, crescimento, cura e missão na vida de fé (CIC 1210).
O número sete nem sempre apareceu explicitamente nos escritos cristãos: a palavra “sacramento” às vezes tinha um sentido mais amplo. No século XII, especialmente com Pedro Lombardo em suas Sentenças, a lista se tornou mais precisa. O segundo Concílio de Lyon a afirmou em 1274, e o Concílio de Trento a definiu solenemente em 1547, diante das posições da Reforma que reconheciam um número menor de sacramentos.
Para a Igreja, essa precisão histórica não inventou novos ritos. Ela esclareceu os sacramentos recebidos de Cristo e transmitidos pelos apóstolos.
O que cada sacramento realiza?
Cada sacramento comunica uma graça própria. O Batismo dá a graça santificante e marca para sempre a pertença a Cristo. A Confirmação fortalece essa graça com o dom do Espírito Santo. A Eucaristia une a Cristo e à Igreja. A Penitência restitui a graça perdida pelo pecado mortal e perdoa a pena eterna que dele resulta. A Unção dos Enfermos dá força e paz, além do perdão dos pecados quando não é possível se confessar. A Ordem concede a graça de exercer o ministério conforme o grau recebido. O Matrimônio ajuda os esposos a viver uma união fiel e fecunda.
Três sacramentos, Batismo, Confirmação e Ordem, imprimem um caráter, uma marca espiritual indelével. Por isso, não se repetem o Batismo, a Confirmação nem o mesmo grau da Ordem. Um diácono, porém, pode se tornar padre e depois bispo. Os outros sacramentos podem ser recebidos novamente conforme suas condições próprias: confissão regular, Comunhão diária, nova Unção em caso de doença grave ou novo casamento depois da morte do cônjuge.
A graça sacramental não se reduz a uma emoção. Os sacramentos agem ex opere operato, isto é, pela ação de Cristo realizada na celebração válida, enquanto seus frutos também dependem das disposições de quem os recebe (CIC 1128). Nem a santidade pessoal do ministro nem a intensidade do sentimento religioso produzem essa graça.
Quem pode receber os sacramentos?
Cada sacramento tem suas condições. O Batismo abre o acesso aos demais. No rito latino, uma criança batizada é plenamente católica, mesmo que normalmente espere a idade prevista para a Comunhão e a Confirmação; em perigo de morte, pode ser crismada. Quem tem consciência de um pecado mortal deve normalmente se confessar antes de comungar. Nosso artigo sobre faltar à Missa de domingo aprofunda essa questão. Para casar, é preciso estar livre para contrair matrimônio. A ordenação é reservada aos homens batizados, segundo o ensinamento e a prática da Igreja.
Em regra, os ministros católicos administram os sacramentos aos fiéis católicos. Há exceções para a Penitência, a Eucaristia e a Unção dos Enfermos: cristãos ortodoxos podem pedi-los espontaneamente se estiverem bem dispostos. Para outros cristãos batizados, há condições mais restritas, como perigo de morte ou outra grave necessidade, impossibilidade de recorrer ao próprio ministro e profissão da fé católica a respeito desses sacramentos.
Os sacramentos não são experiências religiosas intercambiáveis. São ações de Cristo em sua Igreja, inseridas na fé e na vida comum dela.
Os sete sacramentos acompanham a vida católica: nascimento na fé, crescimento, alimento espiritual, reconciliação, apoio na doença e vocação de serviço. Na fé católica, o cristianismo também é uma vida recebida de Cristo, que age por sinais concretos em sua Igreja.
Perguntas frequentes
Os sacramentos são necessários para a salvação? +
A Igreja ensina que o Batismo é necessário para a salvação no caminho ordinário da graça. Deus, porém, não está limitado aos seus sacramentos e pode salvar quem, sem culpa própria, nunca o recebe. A necessidade dos demais sacramentos depende da situação de cada pessoa; a Eucaristia, por exemplo, alimenta e leva à plenitude a vida cristã iniciada no Batismo.
Um sacramento pode ser inválido? +
Sim. Sua validade exige, entre outras condições, a matéria e a forma próprias, um ministro capaz de celebrá-lo validamente e a intenção de fazer o que a Igreja faz. Os requisitos específicos variam conforme o sacramento. A realização externa da cerimônia, por si só, não garante sua validade; a santidade pessoal do ministro, no entanto, não é uma condição de validade.
Qual é a diferença entre sacramento e sacramental? +
Um sacramento é um dos sete sinais instituídos por Cristo que comunicam a graça pela ação dele. Um sacramental, como a água benta, uma bênção, o sinal da cruz ou uma medalha religiosa, é um sinal sagrado instituído pela Igreja para nos preparar para receber a graça. Os sacramentais nos dispõem à graça; não a conferem da mesma maneira que os sacramentos.
Por que o sacerdote tem um papel próprio? +
Porque Cristo age pelos ministros ordenados da Igreja. O pecado pessoal de um sacerdote não torna, por si só, inválida a consagração eucarística ou a absolvição: é Cristo quem age, e não a santidade do padre que produz o sacramento. As demais condições de validade precisam estar presentes. O sacerdote continua chamado a viver seu ministério com santidade.
É possível receber os sacramentos a distância ou pela internet? +
Não. Receber um sacramento exige presença real e os sinais próprios de sua celebração. Uma confissão por telefone não dá a absolvição sacramental, e assistir à Missa pela televisão não permite receber a Comunhão sacramental. A oração a distância, porém, pode produzir frutos espirituais.